Astrônomos encontram planeta semelhante à Terra com 50% de chance de ser habitável

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Conceito artístico do exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de "Terra fria" por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância.
NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)


Cientistas Identificam Mundo Potencialmente Habitável a 150 Anos-Luz: HD 137010 b


Usando dados do telescópio espacial Kepler da NASA, astrônomos descobriram um intrigante candidato a exoplaneta, o HD 137010 b – um mundo rochoso e ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol. Com uma órbita de cerca de um ano e posicionado na borda externa da zona habitável de sua estrela, ele oferece uma oportunidade única para estudar as condições de habitabilidade em planetas extrassolares.

A Descoberta
O planeta foi detectado durante a missão K2 do Kepler, por meio da observação de um único trânsito – a passagem do planeta diante de sua estrela, que causa uma leve diminuição no brilho observado. A análise cuidadosa dessa curva de luz permitiu estimar características como o tamanho e o período orbital. No entanto, como apenas um trânsito foi registrado, o planeta ainda é classificado como candidato, aguardando confirmação por observações futuras.

Por que este planeta é especial?

  • Semelhança com a Terra: tamanho rochoso, órbita de cerca de um ano em torno de uma estrela do tipo solar.

  • Posição estratégica: está na região mais externa da zona habitável, onde a água poderia existir em estado líquido sob condições atmosféricas adequadas.

  • Alvo para futuros estudos: se confirmado, será um dos poucos exoplanetas análogos à Terra que transitam uma estrela brilhante e próxima – ideal para caracterização detalhada com telescópios de próxima geração.

Os Desafios da Confirmação
A confirmação exigirá a detecção de novos trânsitos, o que é um desafio devido ao longo período orbital (similar ao terrestre). Equipes já buscam novos dados com instrumentos como o TESS (NASA) e o CHEOPS (ESA). Caso não seja possível no curto prazo, a próxima geração de observatórios espaciais poderá fornecer a resposta.

Habitabilidade: Um Jogo de Probabilidades
A estrela HD 137010 é mais fria e menos brilhante que o Sol, o que resulta em uma insolação significativamente menor no planeta. Modelos climáticos indicam duas possibilidades principais:

  1. Mundo gelado: com uma atmosfera fina, a temperatura superficial pode chegar a -68°C, semelhante à média de Marte.

  2. Mundo temperado ou oceânico: uma atmosfera mais densa, rica em gases de efeito estufa como o CO₂, poderia reter calor suficiente para manter água líquida e condições mais amenas.

O estudo estima:

  • 40% de chance de estar dentro da zona habitável conservadora.

  • 51% de chance de estar na zona habitável otimista (mais ampla).

  • Cerca de 50% de chance de estar totalmente fora da zona habitável.


Uma animação conceitual de um artista do exoplaneta candidato HD 137010 b, que oferece uma visão como se estivéssemos sobrevoando este possível planeta rochoso, ligeiramente maior que a Terra, que orbita uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância. Esta visão também cria um efeito semelhante a um trânsito, à medida que a estrela do planeta desaparece e reaparece por trás de HD 137010 b.
NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)

Perspectivas Futuras
O HD 137010 b representa um caso fascinante na busca por análogos terrestres. Sua confirmação e futura caracterização atmosférica – possivelmente com o telescópio espacial James Webb ou instrumentos da próxima década – poderão responder se este mundo distante possui efetivamente condições para abrigar vida.

Ficha Técnica

  • Publicação: The Astrophysical Journal Letters, 27 de janeiro de 2026.

  • Título do artigo: “A Cold Earth-sized Planet Candidate Transiting a 10th Magnitude K-dwarf from K2”.

  • Liderança: Alexander Venner (Universidade do Sul de Queensland, Austrália / Instituto Max Planck de Astronomia, Alemanha).

  • Fonte dos dados: Missão K2 do telescópio espacial Kepler (NASA).

  • Creditos: https://science.nasa.gov/